O caráter sagrado do sigilo de confissão

photo credit: Raúl G. Huergo via photopin cc
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Artigo publicado no jornal Alagoas em Tempo, edição de 17 a 23 de novembro/2014 | Ano 8 – Nº 657.

Marcos Antonio Fiorito *

Há alguns meses o diário francês católico “La Croix” noticiou a decisão da Igreja Anglicana da Austrália de reconsiderar o segredo de confissão, autorizando aos seus sacerdotes revelarem informações sobre pecados graves, como abuso e pornografia infantil, além de crimes que renderiam ao autor mais de cinco anos de prisão.

A Igreja Anglicana da Austrália tem sua origem na Igreja Anglicana inglesa, que foi criada no século XVI por Henrique VIII, rei da Inglaterra, após o Vaticano ter negado anular o seu casamento legítimo com Catarina de Aragão. Mesmo com o rompimento, a Igreja Anglicana manteve certos ritos, costumes e tradições da Igreja Católica, entre eles, o sigilo sacramental.

Como diz o provérbio popular: “Errar é humano, perdoar é divino.” Em uma das mais belas passagens bíblicas (Mc 2, 1-12), Nosso Senhor ousou, divinamente, dizer a um paralítico que seus pecados estavam perdoados. Tal afirmação causou rebuliço entre os fariseus, que julgaram a atitude de Jesus uma blasfêmia, afinal “Quem pode perdoar senão Deus?!”. Com efeito, a despeito de alguns doutores da lei empedernidos, através do perdão, naquele momento, Cristo atestou a todos a sua natureza Divina. E para dar continuidade à sua obra, fez de Pedro a rocha firme na qual alicerçou sua Santa Igreja. Deu ao primeiro Papa e aos demais membros do colégio apostólico o poder das chaves, depois soprou-lhes o Espírito Santo, transmitindo-lhes o poder sagrado de perdoar os pecados: “Recebam o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” (Jo 20, 23).

Os Apóstolos transmitiram tal poder aos bispos, seus sucessores; e com o crescimento do número de cristãos, o poder foi legitimamente delegado aos padres, para que pudessem auxiliar a Igreja no seu ministério evangelizador.

Uma das mais belas características do sacramento da penitência é o segredo de confissão. Nos mais de dois mil anos de História da Igreja, fatos comoventes marcaram a seriedade com que os sacerdotes católicos assumiram tal sigilo. Não raramente o segredo de confissão foi causa de perseguição e martírio, como é o caso do padre espanhol Felipe Ciscar Puig, martirizado por comunistas na guerra civil de 1936, na Espanha. Quando se encontrava preso na cidade de Dénia, Pe. Felipe atendeu outro preso em confissão, o frei franciscano Andrés Ivars. Os comunistas queriam de todas as formas arrancar-lhe o conteúdo da confissão, porém as tentativas foram inúteis, o presbítero permaneceu firme em seu silêncio. Encolerizados, os impiedosos guerrilheiros o fuzilaram juntamente com frei Andrés.

No século XIX, por guardarem o segredo de confissão, inúmeros foram os casos de padres perseguidos, presos ou mortos por ativistas anticlericais. Inclusive, diante da firmeza dos sacerdotes, alguns dobraram os joelhos, se converteram e, arrependidos, confessaram seus pecados.

É preciso ressaltar que o sacerdote, como ministro de Deus, não perdoa ninguém por um poder pessoal, mas sim pela vontade de Cristo. Quando ele diz: “Eu te absolvo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, ele está emprestando a voz a Nosso Senhor. Portanto, quem perdoa é Deus e não uma mera criatura humana.

A grave decisão da Igreja Anglicana da Austrália de permitir a seus sacerdotes que em algumas circunstâncias possam revelar o segredo de confissão, enfraquece o poder do sacramento, enche de dúvida e insegurança os fiéis e os desestimula a procurar a absolvição sacramental.

* O autor é teólogo e redator católico

(Autoriza-se reprodução do artigo com citação do autor.)

 

 

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