Redes sociais ou redes de boatos?

Artigo publicado no jornal Alagoas em Tempo, edição de 12 de dezembro a 18 de dezembro/2016 | Ano 10 – Nº 758.

Marcos Antonio Fiorito *

photo credit: Rachel.Adams Self Doubt via photopin (license)

“Por favor, informe todos os contatos de sua lista para não abrir um vídeo chamado ‘Dança do Marcelo careca’. É um vírus que formata seu celular. Eles anunciaram hoje na TV Globo. Envie esta mensagem para os muitos grupos que você puder avisar!” Quantas vezes você recebeu uma mensagem assim, ou parecida, via Facebook ou WhatsApp? Insuportável, não é? Pois bem, o que se tem de mais comum hoje na internet é boataria. A mentira corre solta e consegue transformar as redes sociais em verdadeiras redes de boatos.

Existe um monte deles, alguns pedem dinheiro para uma criança que sofre de uma doença rara, precisa fazer um tratamento especial e muito caro, etc. Outros, como o transcrito logo acima, advertem para o perigo de um vídeo que, logo aberto, irá formatar o celular e fazer com que você perca todo o seu conteúdo. Outros falam de uma lei que irá acabar com o 13º… Alguns casos são até patéticos, como o boato de uma entrevista do Jô com o Juiz Sérgio Moro. A mensagem diz: “Hoje, às 23 horas, Jô entrevista o Juiz Sérgio Moro na Globo. Divulguem para estourar a audiência!”. Durante uma semana recebi esta mensagem, sendo que ela anuncia a entrevista para “hoje”… Parece até com aquela plaquinha desaforada no armazém do Sr. Manuel, da esquina: “Fiado? Só amanhã!”.

Tempos atrás, circulou uma carta supostamente escrita por sua excelência, o Deputado Tiririca, afirmando que lhe foi oferecida uma bela propina, milhões de reais, mas recusou, diante de sua dignidade como trabalhador honesto, que começou bem debaixo e chegou no patamar em que está com muito sacrifício. Por todos os lados via-se gente elogiar a postura do comediante, citar trechos da carta em que ele enaltecia sua probidade, etc. Porém o próprio humorista veio a público desmentir que tenha recebido oferta de propina e escrito uma carta a respeito.

Um outro gênero de boato começa afirmando que a “casa caiu” para determinada instituição do governo, que foi possível provar que ela está envolvida num esquema fenomenal de corrupção e que saiu matéria sobre o assunto no Fantástico. Como pode se ver, a Globo vem sendo muito usada pelos boateiros.

O que concluir disso tudo? Vê-se que algumas pessoas mais atinadas, mais prudentes, notam logo que há uma semelhança entre os boatos e que tudo não passa de uma espécie de terrorismo virtual. Em seguida, de forma sensata, apagam a mensagem. Outras, sequer percebem que o corpo do texto é semelhantíssimo, e que o boateiro só teve o trabalho de trocar o nome do vírus ou do difamado, e que, em geral, o nome da TV Globo é usado para dar credibilidade. Ao invés de apagar a mensagem, enviam para outros contatos, grupos, etc. Ou seja, fazem o papel de inocentes úteis, trabalhando, ingenuamente, para a máquina de boatos funcionar.

Alguém pode perguntar: e na dúvida se é boato ou não, o que fazer? Fácil, a mesma internet que espalha toda sorte de mentiras contém informações que as desmente. É só usar o Google ou outro motor de busca e logo irá ver que tudo não passa de enganação. Na verdade, vivemos hoje uma tremenda overdose de informações; por isso, na dúvida, melhor não repassar a ninguém. O que os olhos não veem, o coração não sente!

* O autor é teólogo e docente de ensino superior

Autoriza-se publicação com citação do autor!

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