TV, tédio e você

Artigo publicado no jornal Alagoas em Tempo, edição de 10 a 16 de outubro/2016 | Ano 10 – Nº 749.

Marcos Antonio Fiorito *

Todo mundo já passou pela entediante experiência de manipular o controle remoto da TV em busca de um canal que ofereça uma programação interessante. Não há nada de extraordinário nisso, é algo corriqueiro e frequente. Porém, parece difícil explicar que isso ocorra até mesmo com uma grade de canais generosa, como é o caso de quem possui TV a cabo ou via satélite. A verdade é que o fato de haver muitas opções nem por isso torna fácil a tarefa de encontrar um programa empolgante.

photo credit: ExpectGrain Child reading. via photopin (license)
photo credit: ExpectGrain Child reading. via photopin (license)

Curioso notar que os melhores filmes passam de madrugada, quando a audiência cai drasticamente. Claro que em vista disso nasce logo a pergunta: por que não são exibidos durante o dia no lugar de tantos filmes repetidos? Homem Aranha 3, Batman Begins, Titanic, Diário de uma Paixão, X-Men Primeira Classe, O Exterminador do Futuro 2, etc., são títulos que reprisam, exaustivamente, quase toda semana. Como explicar?!

Vamos levar em consideração que as emissoras de TV contam com especialistas que estudam minuciosamente aquilo que encontra mais apelo por parte da opinião pública. Entre as matérias mais cotadas, temos as novelas brasileiras ou estrangeiras, reportagem policial do tipo “Brasil Urgente” e “Fique Alerta”, culinária, show de talentos, programas de humor e seriados… Parece que, de fato, a maioria das pessoas prefere uma programação vazia, que lhe faça rir ou chorar, desligando-a da realidade do dia-a-dia. Ou seja, a parcela de brasileiros que anseia por filmes cults, baseados em fatos reais, ou produções que narram grandes acontecimentos, documentários, matérias que tenham conteúdo rico em informação e conhecimento, etc., deve imitar as corujas e morcegos e trocar o dia pela noite, já que, exceto os telejornais e alguns programas que tratam de vida e saúde, o restante não lhe é de bom proveito.

Até o History Chanel, que é uma espécie de oásis no deserto da programação banal, tem preenchido boa parte de seus horários com a série “Alienígenas do Passado”, chegando a exibir 3 séries consecutivamente. Com todo o respeito a quem é fascinado pelo assunto, é matéria notoriamente especulativa, subjetiva e interpretativa, já que não há provas cabais de nada, tudo se baseia em suposições, salvo alguns dados que, realmente, chamam a atenção.

Não seria a hora ideal para tomar aquele bom e velho livro e fazer uma leitura agradável? De preferência livro impresso, clássico, acompanhado de um bom chá ou café, dando lugar a anotações e, sobretudo, boas reflexões. Mas, se for mais prático e preferível, pode ser o livro digitalizado, com a vantagem de que a internet disponibiliza um número infindo de títulos, de autores de todas as épocas, de todas as nações e para todos os gostos, que cobre desde Heródoto, Sófocles, Platão, Horácio, Cícero, Tomás de Aquino, Dante, Cervantes, até Shakespeare, Montesquieu, Machado de Assis, Eça de Queiroz, Graciliano Ramos, Fernando Sabino, etc.

Fica aqui o convite, caro leitor, para apertar o botão off do controle remoto, tomar um livro de um bom autor e saborear uma leitura serena e prazerosa, como nos velhos tempos, e, quem sabe, degustando um bom vinho…

* O autor é teólogo e docente de ensino superior

Autoriza-se publicação com citação do autor!

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Um comentário em “TV, tédio e você

  • 27 de outubro de 2016 em 08:56
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    Cierto. De hecho construir una biblioteca, hoy, es construir una fortaleza — una Gran Muralla contra el asalto de la banalidad. No pretendo expresar arrogancia, para nada; sólo me parece que en esta Era del Márketing importa demasiado lo que agrada (además, los agrados sólo duran un instante, luego retorna el tedio) y hemos descuidado lo que nos forma, lo que nos obliga a mejorar.

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