Movimento feminista e a expansão muçulmana

Artigo publicado no jornal Alagoas em Tempo, edição de 04 a 10 de julho/2016 | Ano 10 – Nº 735.

Marcos Antonio Fiorito *

Liberdade, igualdade e fraternidade é o lema da Revolução Francesa, como bem sabemos. Uma tríade de palavras que sugere ideais ultrademocráticos, ultrajustos e emancipadores. Porém, a revolução de 1789 na

photo credit: Miles de mujeres reivindican sus derechos en las calles de Madrid via photopin (license)
photo credit: Miles de mujeres reivindican sus derechos en las calles de Madrid via photopin (license)

França esteve bem longe disso. Segundo os historiadores da época, no auge do Período do Terror, quando os jacobinos (revolucionários radicais) depuseram os girondinos (revolucionários de centro), nas sarjetas das ruas de Paris corria sangue dos condenados à guilhotina, ao invés de água insalubre.

Calcula-se que, durante os dez anos de revolução, em torno de 18 mil pessoas foram guilhotinadas. Recentemente, a BBC publicou uma interessante matéria a respeito. A correspondente Daniela Fernandes reporta que Raymond Combes, especialista em informática, inaugurou um site chamado “Les Guillotinés” (Os guilhotinados), por onde reúne os nomes das quase 18 mil vítimas da Revolução. A página é tão detalhada, que é possível identificar, inclusive, a causa da condenação: http://les.guillotines.free.fr/

Pois bem, muitos estudiosos reportam à Revolução Francesa a marca inicial da luta do movimento feminista. Inclusive, foi em 1789 que Olympe de Gouges lançou o manifesto “Declaração dos Direitos da Mulher”.

Outro marco importante do movimento deu-se em 1848, com a Convenção de Seneca Falls, que foi a convenção dos direitos das primeiras mulheres dos EUA, ocorrida em Nova York.

Sintetizando, podemos dizer que o feminismo reivindica igualdade plena entre homens e mulheres, supondo total liberdade. Liberdade que, com o passar dos séculos, iria agregando novas questões, como aborto, uso de anticoncepcionais, casamento homossexual, etc.

Há, evidentemente, entre as feministas um dégradé de intensidade, por onde existem as mais radicais, que condenam qualquer forma de diferença entre homens e mulheres, e outras mais moderadas, que simplesmente pleiteiam a igualdade de direitos, compreendendo participação social e política.

Entretanto, o que causa espécie no respeitante às reivindicações feministas é não ver uma manifestação clara e robusta contra as injustiças que as mulheres muçulmanas sofrem sob a lei da Sharia, que lhes impõe um pesado fardo, sobretudo no Oriente Médio. Recentemente, alguém publicou no Youtube um vídeo que trazia uma cena chocante: numa cidade da Síria, controlada pelo Estado Islâmico, uma senhora vestida de negro, coberta dos pés à cabeça, foi sentenciada à morte em público por estar andando desacompanhada de um homem. Apesar de pedir insistentemente clemência, foi completamente ignorada. Houve uma breve leitura de um livro, que supomos se tratar da lei da Sharia, seguida de tiros a sangue frio, disparados contra a cabeça da pobre senhora… Onde estavam as feministas do Ocidente para defendê-la?

Por outra, o avanço muçulmano nos países europeus é crescente, contínuo e abrangente, de tal forma que as estatísticas apontam para uma Europa muçulmana dentro de poucas décadas. Diante de tal ameaça, por que não vemos feministas denunciando a expansão do Islã em seus países?

Nota-se que é uma contradição intrigante, quando pensamos que, submetidas às leis islâmicas, elas perderão justamente a liberdade, a igualdade e tudo quanto têm reivindicado há séculos, porém em um grau muito mais severo.

* O autor é teólogo e docente de ensino superior

(Autoriza-se reprodução do artigo com citação do autor.)

Veja também: Estado Islâmico e a destruição da História

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