Será o fim da civilização europeia?

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Artigo publicado no jornal Alagoas em Tempo, edição de 23 a 29 de maio/2016 | Ano 10 – Nº 729.

Marcos Antonio Fiorito *

Arnold Toynbee, historiador inglês do século passado, defendia o caráter cíclico da história da humanidade. Em sua obra “Estudo da História”, de 12 volumes, ele discorre sobre o nascimento, apogeu e decadência das grandes civilizações. Segundo ele, uma civilização perdura graças à capacidade de resposta que ela encontra para enfrentar seus desafios. Contudo, ela se enfraquecerá e entrará em declínio justamente por não conseguir fazer frente às inúmeras dificuldades que, naturalmente, irão surgir.

Outra afirmação importante de Toynbee é que o fim de uma civilização não se dá por fatores externos, ainda que haja invasões, guerras, etc., mas por problemas internos. Ou seja, não se dá um assassinato, mas um suicídio.

De fato, ao se analisar a decadência dos Impérios Persa, Macedônio, Romano, Mongol, etc., veremos que todos eles padeciam, ao menos, de um ponto fraco por onde se debilitaram, decaíram e tiveram um fim melancólico.

No entanto, um ponto muito comum a todos é a decadência moral. O Império Macedônio, por exemplo, se estabeleceu pelas conquistas de Felipe II da Macedônia e, sobretudo, de seu filho, Alexandre, o Grande. Porém, não durou muito tempo. Os generais de Alexandre, cansados das longas expedições militares, confabularam a sua morte; que se deu, provavelmente, por envenenamento. Morto Alexandre, eles dividiram o império entre si, fazendo-se reis. O certo é que os problemas de devassidão moral entre os helenos já eram conhecidos desde a época de Felipe II, tornando-se ainda mais escandalosos com seu filho Alexandre.

Os romanos, na sua origem, eram homens de costumes austeros, e isso se dava, em boa medida, por serem adeptos do estoicismo. O estoicismo pregava o valor da virtude sobre a corrupção dos costumes, a importância da vontade sobre a impulsividade, a indiferença à dor, entre outros rigores. No entanto, após a conquista da Grécia, muitos gregos foram levados a Roma como escravos e, os mais cultos, serviram de mestres à elite romana. Aos poucos, a filosofia estoica foi dando lugar ao hedonismo, que pregava, de certa forma, o oposto do estoicismo. Segundo os hedonistas, a existência é efêmera, justificando que devemos viver da forma mais prazerosa possível. O que, na prática, resultava em costumes dissolutos.

Aos poucos, os romanos passaram a desejar uma vida cheia de prazeres, de festas, de orgias sexuais, embriaguez, etc. Em consequência, entraram em franco declínio, e a tal ponto, que seus jovens não queriam mais compor os exércitos do império como seus orgulhosos antepassados. Com isso, Roma teve que contar, cada vez mais, com hordas estrangeiras em suas fileiras, os chamados federados. Desta feita, amolecida e invadida por todos os lados pelos bárbaros, sem uma resistência à altura, a civilização romana, debilitada, finalmente caiu.

E assim poderíamos enumerar outras civilizações gloriosas, que maravilharam o mundo em seu apogeu, mas que decaíram e feneceram como uma árvore seca, carcomida por insetos de toda ordem.

Hoje, contemplando a Europa com especial atenção, assistimos a um continente que se afasta cada vez mais do espírito cristão. Como agravante, encontra-se invadida de inimigos por todos os lados; sendo que eles não descansam, querem impor a religião de Maomé custe o que custar, repudiam o cristianismo e enaltecem os costumes muçulmanos, ameaçando e procurando desestabilizar todos os países da comunidade com atos terroristas. Ao contrário dos europeus, eles não fazem controle de natalidade, o que resultará, segundo estatísticas, numa Europa muçulmana dentro de algumas poucas décadas… Será o fim de uma civilização?

* O autor é teólogo e redator católico

(Autoriza-se reprodução do artigo com citação do autor.)

Veja também: Fé, Esperança e Caridade

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