Ser cristão ou politicamente correto?

photo credit: Rain Down the Just One via photopin (license)
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Artigo publicado no jornal Alagoas em Tempo, edição de 25 de abril a 01 de maio/2016 | Ano 10 – Nº 725.

Marcos Antonio Fiorito *

Sem meias palavras, tal qual! O que você prefere ser: cristão ou politicamente correto? Já se perguntou se é possível ser as duas coisas ao mesmo tempo? Nananinanão, é impossível! Ou você é um cristão autêntico, ou é politicamente correto. Ah! Mas isso é antipático? Até certo ponto é mesmo! E quem disse que ser conforme o Evangelho é ser amigo de todos, cativar a simpatia da maioria? Pelo contrário, o próprio Cristo, indo na contramão dos mundanos, afirmou que não veio trazer a paz, mas sim a espada; no sentido que já comentamos aqui num artigo dedicado ao assunto. Ou seja, que pelo conteúdo de Sua doutrina, haveria de causar divisões, inclusive dentro do lar, pondo uns contra os outros: “O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão. Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo. Se vos perseguirem numa cidade, fugi para uma outra” (Mt 10, 21-23).

São palavras fortes, nem um pouco politicamente corretas. A verdade é que há um abismo entre os ensinamentos de Cristo e as máximas do mundo. A tal ponto, que um cristão que ousa afirmar-se contra, corre o risco de ser punido pelas leis dos homens. Não é à toa que Jesus nos preparou para tais momentos quando afirmou: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo no fogo do Inferno” (Mt 10, 28).

Vivemos dias de tamanho desvario, que a humanidade parece ter chegado à época prevista por um jesuíta francês com fama de santidade, Pe. Necgon (Séc. XVIII). Em 1760, ele profetizou a respeito de uma era de grande desinteresse por Deus e de pecado: “A confusão será tão generalizada, que os homens não serão capazes de pensar certo.”

 Se não chegamos a isso, estamos muito perto de. Por medo de nadar contra a corrente, muita gente abraça ideologias perniciosas, como a ideologia de gênero, aborto em caso de estupro e tantos outros pensamentos contrários à doutrina cristã.

Há uma forma de perseguição por parte dos politicamente corretos até na maneira de se tachar uma pessoa de preconceituosa. Você não pode levantar-se contra uma ricaça que gasta horrores com sua cadelinha ou criticar outra que deixou a herança para o seu gatinho de estimação. Equivale quase a uma blasfêmia.

Até mesmo o conceito de democracia está sendo ameaçado pelos politicamente corretos. Afinal, você já não pode dizer o que pensa. O Deputado Jair Bolsonaro, que não tem papas na língua, está sendo exposto à execração por ter defendido um militar da época da Ditadura. Esteja ele certo ou errado, vivemos num Estado democrático de direito, portanto ele tem liberdade para se expressar, da mesma forma que um deputado de esquerda elogia Che Guevara, notoriamente conhecido por ter torturado e matado a sangue frio inúmeros inocentes.

Penso que para os nossos dias, vale bem o que nos ensinou o Divino Mestre quando advertiu:

“Quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos Céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos Céus” (Mt 10, 31-32)

E então, de que lado você prefere ficar: ser politicamente correto para agradar o mundo ou ser verdadeiramente cristão e agradar a Deus?

* O autor é teólogo e redator católico

(Autoriza-se reprodução do artigo com citação do autor.)

Veja também: Francisco e os casais de 2ª união

2 comentários em “Ser cristão ou politicamente correto?

  • 6 de Maio de 2016 em 08:19
    Permalink

    Texto maravilhoso! Concordo em tudo!
    Parabéns!

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  • 18 de Maio de 2016 em 13:39
    Permalink

    Muito bom o texto!

    Resposta

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