A segunda vinda de Jesus

Artigo publicado no jornal Alagoas em Tempo, edição de 18 a 24 de janeiro/2016 | Ano 10 – Nº 712.

Marcos Antonio Fiorito *

By Paslop (Own work) [Public domain], via Wikimedia Commons

Em nosso último artigo, tratamos a respeito da simplificação com que muitas denominações cristãs tratam a segunda vinda de Cristo. “Jesus está voltando!”, afirmam elas, porém, a Bíblia nos indica os sinais que precederão a chamada Parusia, ou seja, o dia em que Cristo fará sua segunda vinda à Terra.

No texto, ficou claro que o retorno de Jesus está condicionado a 4 acontecimentos simultâneos: 1) O Evangelho será pregado no mundo todo; 2) haverá uma apostasia universal da fé cristã; 3) os judeus se converterão; 4) teremos a vinda do Anticristo.

É comum em épocas de crise, sobretudo quando envolve muitas nações, surgirem os milenaristas, que pregam aos quatro cantos o fim do mundo e, com ele, a segunda vinda de Nosso Senhor. Isso se repetiu em diversas ocasiões, notadamente na virada dos milênios.

Alguns são milenaristas por oportunismo, com o intuito de atrair fiéis de outras religiões ou denominações para os seus templos, outros por acreditar piamente que o fim está próximo. E os fiéis atraídos, na sua grande maioria, desconhecem os sinais bíblicos citados acima.

É verdade que os textos da Escritura merecem especial cuidado no que diz respeito à interpretação; e muitos procuram simplificá-los, interpretando-os ao pé da letra. Porém, na Idade Média, um monge italiano, da ordem de Cister, místico de reconhecida virtude sobrenatural e projeção entre os cristãos, chamado Joaquim de Fiore, dedicou praticamente toda a sua vida estudando as Sagradas Escrituras — particularmente o Novo Testamento –, e procurando interpretar os Evangelhos e o Apocalipse.

Teve o privilégio de mais de um Papa aprovar e incentivar a que continuasse estudando e buscando aprofundar-se nos mistérios da Palavra. Ao término de seus estudos, entregou sua obra aos cuidados da Santa Sé, ciente de que errar é humano e de que algo de não sobrenatural poderia haver, involuntariamente, em alguma parte de seu trabalho. Entretanto, Joaquim faleceu meses depois, sem conhecer a opinião oficial da Igreja a respeito.

Em sua extensa obra, que não escapou da crítica por conter alguns erros, temos uma particular interpretação dele no que concerne à Teologia da História. Segundo ele, podemos dividir a História em três períodos, ou idades, que correspondem às três Pessoas da Santíssima Trindade.

No primeiro período, temos o reinado de Deus Pai, que corresponde ao tempo do Antigo Testamento. Nessa época, a justiça, a onipotência e o temor eram as notas características.

No segundo período, temos o reinado do Filho, que anuncia a Boa Nova e funda uma nova era. Tempo que corresponde ao Novo Testamento. O Verbo, até então escondido, Se fez carne e Se revelou a todos os homens. A bondade, a misericórdia, o perdão e a salvação são as notas marcantes desta idade, cujo término desconhecemos.

E aqui temos o que há de mais interessante na doutrina de Joaquim de Fiore: o anúncio de um terceiro reinado, cujo governante será o Espírito Santo. O mundo viverá uma era de paz, de igualdade e justiça. Obviamente é preciso conceber essas igualdade e justiça sem nenhuma conotação ideológica. Elas não condizem com uma massificação comunista, mas fala de uma igualdade entre os membros do Corpo Místico de Cristo, que desejarão como nunca viver segundo os conselhos evangélicos.

Será o auge da Civilização. O seu fim coincidirá com a segunda vinda de Cristo, o Juízo Final e o encerramento da História.

* O autor é teólogo e redator católico

(Autoriza-se reprodução do artigo com citação do autor.)

Veja também: Jesus estará mesmo voltando? 

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