História, mestra da vida

Artigo publicado no jornal Alagoas em Tempo, edição de 28 de setembro a 4 de outubro/2015 | Ano 9 – Nº 698.

Marcos Antonio Fiorito *

By Augurmm (Own work) [CC BY-SA 4.0], via Wikimedia Commons

Foi o grande orador romano Marco Túlio Cícero quem pela primeira vez afirmou que “a história é a mestra da vida”. Olharmos para ocorrências do passado explica perfeitamente muitos dos acontecimentos presentes. Por exemplo, pode deitar luz sobre a avalanche de imigrantes sírios que hoje invadem a Europa à procura de paz. O que os aterroriza nós bem sabemos: os ataques sangrentos e massivos do Estado Islâmico.

Se recuarmos no tempo e nos situarmos em pleno século VII depois de Cristo, na Arábia Saudita, assistiremos a um guia de caravanas, chamado Maomé, pregando a seu povo – até então pagão e idólatra – a religião de Alá. De forma um tanto inexplicável, em pouco tempo o maometanismo conquista os árabes. Estes, de espada em punho, acreditando fazer a vontade de Deus, partem para a conquista de todo o Oriente Médio que, até então, era quase todo ele cristão. Milhões de adultos e crianças são torturados e mortos. Mulheres violadas e feitas escravas; as mais belas constrangidas a fazerem parte dos haréns dos emires, sultões e xeques árabes. O muçulmanismo é imposto e o cristianismo vira alvo de perseguição e ódio.

A ousadia maometana é tão grande que em pouco tempo os muçulmanos do norte da África tentam invadir o sul da Europa. Repelidos da França, Itália e Portugal, conseguem estabelecer-se por mais de 700 anos na Espanha. Mais tarde, Cid, o campeador, e São Fernando de Castela dão início à chamada Reconquista, que irá terminar no século XV com a retomada do último reduto mouro na Espanha, Granada, pelos reis Fernando e Isabel, a católica.

No século XI, cristãos europeus, levados pelo desejo de visitar o Sepulcro onde Nosso Senhor foi sepultado, ao chegarem em Jerusalém, são alvo de perseguições, tortura, abusos de toda ordem e, muitas vezes, morte. Tal violência comove a Europa e enche o povo cristão de indignação. Ocasião na qual o Papa Urbano II convoca a Primeira Cruzada contra os infiéis muçulmanos.

Na mesma época, os árabes e seu mundo entram em franca decadência e são conquistados pelos turcos seldjúcidas. Estes, combativos e cheios de vitalidade, subjugam a Pérsia, porém logo são convertidos pelos persas ao islamismo. Em pouco tempo o Oriente Médio está sob o domínio do Império Otomano.

Em 1571, os turcos planejam um ataque naval com o objetivo de penetrar na Europa, invadir a Itália, saquear Roma e prender o sumo pontífice, humilhando-o na frente de todos os cristãos. Porém o Papa São Pio V reuniu uma valorosa esquadra naval, sob o comando de D. João D’Áustria. Formou-se então a Santa Liga, constituída pela República de Veneza, Espanha e os Estados Pontifícios. Os Turcos foram fragorosamente derrotados, o que os levou, por um bom tempo, a desistir da conquista do velho continente.

Também o Império Otomano ruiu. Entretanto, mais tarde, a descoberta do petróleo no Oriente Médio enriqueceu e fortaleceu os árabes, dando-lhes voz e vez entre as nações de maior importância e influência. Contudo, a maior parte do mundo muçulmano vive agitado, entre disputas, guerras e revoluções. E agora, uma nova ameaça visa destruir o mundo civilizado com seu poder bélico: o Estado Islâmico. O que pretende ele? Entre outros atos terroristas, fala justamente em invadir a Europa, destruir o Vaticano, humilhar e atingir a pessoa do Papa. Pareço ouvir Cícero que diz: “História, mestra da vida”…

* O autor é teólogo e redator católico

(Autoriza-se reprodução do artigo com citação do autor.)

Veja também: Existe felicidade plena neste mundo?

Um comentário em “História, mestra da vida

  • 26 de setembro de 2015 em 05:24
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    Muito bom!

    Resposta
  • 12 de outubro de 2015 em 11:34
    Permalink

    PARABÉNS, MEU IRMÃO, PELO ÓTIMO ARTIGO !!!!

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